quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Serra, as eleições e o destino de Globo, Folha, Veja, Estadão...

Os fatos induzem a crer que a grande mídia tem boas possibilidades de sair das eleições deste ano como a grande derrotada, mais até do que a oposição. Mas ela pode adotar uma postura que lhe garantirá ser a grande vencedora independentemente do resultado sobretudo da eleição presidencial.

Por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania.com

Por meu turno, adoraria ver a grande mídia consagrar-se nas eleições que se aproximam como tendo contribuído para esclarecer a sociedade sobre as propostas, defeitos e virtudes de cada candidato, sem ter tentado decretar, dissimuladamente, em quem o povo deveria votar.

Gostaria de uma mídia que se portasse como magistrada do processo eleitoral, que fizesse inclusive críticas, mas aos dois lados, sem tomar partido, apontando o que deve ser apontado, dando espaço equitativo e sem armadilhas para defesa dos políticos questionados.

Mas neste ano, se continuar como esteve posta, até aqui, a atuação da mídia, ela só poderá sair derrotada ou vencedora. E por quê? Porque a mídia tem lado e quem tem lado obriga-se a assumir os bônus da vitória ou os ônus da derrota.

Na hipótese dos meus sonhos, Globo, Folha, Veja, Estadão e os outros veículos de mídia que os seguem seriam reconhecidos pelos dois lados como tendo contribuído para esclarecimento da população, ou, no limite, os dois lados teriam queixas idênticas e na mesma intensidade sobre sua atuação no processo eleitoral.

Tome-se o exemplo de Serra. Ele deve ser o político que menos já se queixou da mídia, apesar de uma vez, faz algum tempo, ter tido a desfaçatez de reclamar. Mas ele não reclama simplesmente porque não tem razões, pois deve ser o político brasileiro menos questionado pela mídia. Menos até que Geraldo Alckmin e Mario Covas.

A credibilidade midiática, portanto, foi para o buraco, em termos políticos. Ninguém mais dá bola para os ataques diários ao governo Lula, o que fez com que até entre os mais escolarizados o apoio a ele seja hoje majoritário, a despeito dos ataques incessantes e das acusações escabrosas ao próprio presidente da República.

Mas mídia tem a fórmula para sair consagrada de 2010. E a prova disso está na excelente coluna de Josias de Souza hoje em seu blog, que reproduzo neste post. Só quero alertar que essa é a primeira crítica de verdade que ele fez ao governador paulista em tanto tempo que nem me lembro de quando foi a última.

Para a mídia vencer, portanto, ela só precisa abraçar o público, ficar do lado dele, mostrar que o respeita. Aí está o poder que a mídia tenta manter por métodos que só a têm feito perder, ao menos ao longo desta década.

Com vocês, abaixo, Josias de Souza:


Serra adota discurso de vítima diante das enchentes

Existe São Paulo. E existe “São Paulo”. Há a cidade e o coletivo em que ela se transformou.

Pode ser coletivo majestático ou pejorativo. Depende do lado que você está e do que lhe vem à mente quando ouve “São Paulo”.

Sem aspas, São Paulo é trabalho, é locomotiva, é PIB. Com aspas, pode ser poluição, engarrafamento, caos urbano.

Nos dias que correm, “São Paulo” é enchente, é morte. A água penetra todas as suas residências. Nalgumas, chega pela TV. Noutras, faz boiar os móveis.

José Serra levou ao microblog, na madrugada desta quarta (27), meia dúzia de palavras sobre o flagelo. Escreveu como vítima, não como governador.

Contou: “Fui até a estrada de Itapevi, onde o temporal abriu uma cratera impressionante. Prevendo o risco, o DER havia feito uma interdição na via”.

Celebrou: “Só por isso não houve maior tragédia. O carro com dois funcionários do DER despencou, mas felizmente eles foram resgatados e passam bem”.

Esmiuçou: “Tentei ir a Bauru, mas não consegui. Com o temporal, o aeroporto de Congonhas estava feito sanfona: abria e fechava o tempo todo”.

Contabilizou: “Este é o mês de janeiro mais chuvoso em SP, desde 1995, quando o Centro de Gerenciamento de Emergências passou a fazer medições.”

Comparou: “Pra vocês terem uma idéia: o previsto para todo o mês de janeiro eram 239 mm. Na zona norte de SP, choveu 43 mm só nesta terça-feira!”

Espantou-se: “A Estação Meteorológica da USP registrou, 5ª feira passada, o maior volume acumulado de chuva em janeiro desde 1932, quando começou a medir”.

Quem teve a ventura de ler José Serra sentiu falta de um governador. Alguém que discorresse sobre planos e medidas.

Quem leu José Serra teve a impressão de que ele não é propriamente um governador. É apenas mais uma vítima. Ou, por outra, é a ausência de solução com doutorado.

Uma espécie de nada com PhD, a contemplar a cidade desde a janela do Palácio dos Bandeirantes.

José Serra talvez ainda não tenha se dado conta, mas o cargo de governador tirou dele o conforto de habitar o mundo acadêmico.

Para um "scholar", habituado a observar os paradoxos do caos social de longe, com distanciamento brechtiano, o diagnóstico é o Éden.

Mas o cidadão que se encontra cercado de água por todos os lados anseia pela resolução de seus problemas. Espera, quando menos, por um lenitivo.

Poder-se-ia objetar que o despreparo de “São Paulo” para lidar com as enchentes é produto do descaso de muitos governos.

A objeção não socorre, porém, o tucanato de José Serra, no poder em “São Paulo” há uma década e meia.

Assim, as divagações noturnas de José Serra não têm senão a utilidade de dar ao seu autor a sensação de que seus relatos são úteis.

De resto, enquanto estiver empilhando estatísticas e relatos molhados, José Serra pode eximir-se de tarefas menores. Apresentar providências, por exemplo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eduardo Galeano: O Haiti e a maldição branca

Por Eduardo Galeano*

O Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravidão. Contudo, as enciclopédias mais conhecidas e quase todos os livros de escola atribuem à Inglaterra essa histórica honra. É verdade que certo dia o império que fora campeão mundial do tráfico negreiro mudou de idéia; mas a abolição britânica ocorreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e resultou tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve de voltar a proibir a escravidão.

Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e dono de escravos, advertia que o Haiti dava o mau exemplo, e dizia que se deveria "confinar a peste nessa ilha". Seu país o ouviu. Os Estados Unidos demoraram 60 anos para reconhecer diplomaticamente a mais livre das nações.

Por outro lado, no Brasil chamava-se de haitianismo a desordem e a violência. Os donos dos braços negros se salvaram do haitianismo até 1888. Nesse ano o Brasil aboliu a escravidão. Foi o último país do mundo a fazê-lo.

O Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas TVs e nas páginas dos jornais, no início deste ano, os meios de comunicação transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem.

Desde a revolução até hoje, o Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colônia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, levam ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da selvagem herança da África. O mandato dos ancestrais. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.

Da maldição branca não se falou.

A Revolução Francesa havia eliminado a escravidão, mas Napoleão a ressuscitara:

- Qual foi o regime mais próspero para as colônias?

- O anterior.

- Pois, que seja restabelecido.

E, para substituir a escravidão no Haiti, enviou mais de 50 navios cheios de soldados. Os negros rebelados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos.

Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana-de-açúcar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram "a dívida francesa". A França cobrou caro a humilhação imposta a Napoleão Bonaparte. Recém-nascido, o Haiti teve de se comprometer a pagar uma indenização gigantesca, pelo prejuízo causado ao se libertar. Essa expiação do pecado da liberdade lhe custou 150 milhões de francos-ouro.

O novo país nasceu estrangulado por essa corda presa no pescoço: uma fortuna que atualmente equivaleria a US$ 21,7 bilhões ou a 44 orçamentos totais do Haiti atualmente. Muito mais de um século demorou para pagar a dívida, que os juros multiplicavam. Em 1938, por fim, houve e redenção final.

Nessa época, o Haiti já pertencia aos brancos dos Estados Unidos.

Nem Bolívar

Em troca dessa dinheirama, a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haiti nasceu condenado à solidão. Tampouco Simon Bolívar a reconheceu, embora lhe devesse tudo. Barcos, armas e soldados lhe foram dados pelo Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda.

O Haiti lhe deu tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma idéia que até então não lhe havia ocorrido. Depois, o herói venceu sua guerra de independência e expressou sua gratidão enviando a Port-au-Prince uma espada de presente. Sobre reconhecimento, nem uma palavra.

Na realidade, as colônias espanholas que passaram a ser países independentes continuavam tendo escravos, embora algumas também tivessem leis que os proibia. Bolívar decretou a sua em 1821, mas, na realidade, não se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravidão, e a Venezuela em 1854.

Em 1915, os fuzileiros navais desembarcaram no Haiti. Ficaram 19 anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e o escritório de arrecadação de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até que este assinasse a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York.

O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravidão, mas impuseram o trabalho forçado para as obras públicas.

E mataram muito. Não foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro Charlemagne Péralte, pregado em cruz contra uma porta, foi exibido, para escárnio, em praça pública.

A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes se retiraram deixando no país uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. O mesmo fizeram na Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e Trujillo.

E, assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram somando-se as desventuras e os anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, o levou, o submeteu a tratamento e, uma vez reciclado, o devolveu, nos braços dos fuzileiros navais, à Presidência. E novamente ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e outra vez houve matança. E de novo os fuzileiros, que sempre regressam, como a gripe.

Entretanto, os especialistas internacionais são muito mais devastadores do que as tropas invasoras. País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haiti havia obedecido suas instruções sem pestanejar. Eles o pagaram negando-lhe o pão e o sal.

Náufragos anônimos

Teve seus créditos congelados, apesar de ter desmantelado o Estado e liquidado todas as tarifas alfandegárias e subsídios que protegiam a produção nacional. Os camponeses plantadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou emigrantes em balsas. Muitos foram e continuam indo parar nas profundezas do Mar do Caribe, mas esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos jornais.

Agora, o Haiti importa todo seu arroz dos Estados Unidos, onde os especialistas internacionais, que é um pessoal bastante distraído, se esquecem de proibir as tarifas alfandegárias e os subsídios que protegem a produção nacional.

Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haiti, há um cartaz que adverte: o mau passo.

Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, pestes…

Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferro velho e, com antiga maestria, recortando e martelando, suas mãos criam maravilhas que são oferecidas nos mercados populares.

O Haiti é um país jogado no lixo, por eterno castigo à sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata. Espera as mãos de sua gente.

* Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina e Memórias do Fogo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Caro ZÉ dendágua - Pré Alfabetizado Profissional

Meu caro Fernando Machado, como vc mesmo diz, um pré alfabetizado, mas apenas como subterfúgio para os erros gramaticais que, convenhamos, às vezes são demais. Li e certamente muitas pessoas leram a sua coluna do JSF, que aliás tem como marca, o ataque constante sem sequer dar o direito a defesa, princípio sagrado da justiça.
Mas vamos nos ater ao que de fato interessa. Afinal, a política tem seus reveses e como vc mesmo disse já esteve ao meu lado e fico feliz por ter sido comparada a tão grandiosas heroínas como Rosa Luxemburgo, Leocádia Prestes, Anita Garibaldi, etc, e com toda convicção, lhe afirmo que não mudei. No processo levantado por vc sobre a votação do Orçamento 2010, a minha condição é de tão somente presidir e respeitar o que decide o colegiado e isso não é subserviência. E é uma pena que vc tenha tido tanto veneno para querer desqualificar o trabalho da Câmara e cita os Projetos de vários colegas, como vc tem feito sempre. Mas como disse, nós trabalhamos muito em 2009 e infelizmente eu não fiz o Contrato de divulgação que vc pediu para o SÍTIO ZÉ DENDÁGUA no valor R$12.000,00 e isso certamente "não"? foi levado em consideração na hora da sua "análise política" é normal.
Mas quero lhe lembrar caro amigo, "sua paixão a primeira vista" por mim, foi apenas isto, vc me abandonou muito cedo. Eu não concordei com o jovenzinho, que queria a todo custo criar uma entidade estudantil para cobrar carteira de estudante, sem ao menos ser estudante e foi ao lado de Antonia Pedrosa e outras figuras que aprovaram sua ideia, que, pomposamente vc lançou no Auditório Solar das Mangueiras em meados de 2002, a UNIÃO DOS ESTUDANTES DO RIO SÃO FRANCISCO. Ah Fernando! ali vc começou a se revelar como um profissional da política, primeiro achei vc um Dom Quixote, depois um Gato de Botas, mas, quando assumi a presidência da Câmara em 2005 e foi para discussão o PL que aumentava a tarifa do coletivo em Barreiras e vc, vc, Fernando, participou representando os estudantes de Barreiras, senti o terrível peso do trabalho que vc me deu. Toda a comunidade estudantil lhe repudiou e afirmou publicamente que vc era apenas um bom ZÉ CARIOCA e não representava os estudantes, afinal, desde aqueles tempos, que vc já sonhava com essa empreitada, vc não estudava e nunca gostou por isso se diz pré alfabetizado. Mas besta, ah, isso vc não é mesmo.E onde está mesmo, A UNIÃO DOS ESTUDANTES DO RIO SÃO FRANCISCO? E hoje a sua tão forte entonação serve a quem mesmo? Quais são mesmo seus valores sobre moralidade e probidade administrativa? é o da conveniência? recentemente li duas matérias assinadas por vc no Jornal Sâo Francisco, o de sempre, uma que vc bate para valer no Secretário Juliano Matos por conta de R$ 392,00 recebidos como diária e o secretário esava em outro lugar diferente do que alegou, ou seja fazia campanha eleitoral e não trabalho administrativo segundo suas próprias palavras; e na mesma edição, o seu conceito de moralidade ficou meio estranho. Quando veio a tona o escândalo da candidata a prefeita governista do PSDB, que prestou contas de um irrisório valor de R$ 25.000,00 mesmo com propaganda eleitoral na tv, rádio, carro alugado, etc, e o marqueteiro veio a público dizer que recebeu R$500.000,00 de pagamento não contabilizaado, inexplicavelmente, o ZÉ DENDÁGUA, disse que era perseguição, e em nada se ateve aos fatos. Mas esqueci caro Fernando, é preço da conveniência.Manter um jornal custa caro e fazer um SITE também custa caro.
Por fim, quero lhe lembrar que como militante política, estou há quase 20 anos no mesmo Partido, não pulo de galho em galho; como militante sindical, militante da causa das mulheres e das causas sociais, continuo a mesma e como vereadora, apresentei bons projetos que hoje são Leis que servem ao povo de Barreiras e como presidente tenho sim, trabalhado e muito, e hoje, quem vai à Câmara pode assistir confortavelmente uma sessão legislativa numa excelente Casa parlamentar, fruto da nossa administração arrojada, zelosa e aberta ao povo. Foi essa atuação destacada que levou o povo de Barreiras a depositar em mim quase 14 mil votos, e isso me orgulha muito e me dá mais responsabilidade.
Infelizmente "analistas" como vc adoram desqualificar os políticos jogando todos na mesma vala comum como se não tivessemos valor. Desejo imensamente que o seu trabalho "profissional" lhe dê uma vaga na Câmara. Sei que é o seu desejo. Me lembro como hoje, a sua revolta por ter sido impedido de ser candidato a vereador em 2000 por dupla filiação e vc que já contava com 1000 (mil) camisetas dadas por GUGU. lembra? pois é o tempo passa e muitos usam a vestal da pureza, da moralidade, da retidão e se revoltam por ter perdido mil camisetas de propaganda para distribuir aos coitados dos eleitores. É uma pena! Mas encerro para vc que tá muito amargo e muito duro dizendo: "HAY QUE ENDURECER, PERO SIM PERDER LA TERNURA, JAMÁS"!.
um abraço da sua ANITA GARIBALDI DO SÃO FRANCISCO.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Depoimento: O Haiti já estava de joelhos; agora, está prostrado

No dia 12 de janeiro de 2010, o mundo ruiu em Porto Príncipe. Um mundo já frágil e parcialmente em ruínas foi-se abaixo. O Haiti já estava de joelhos. Agora, com a destruição de sua capital, está prostrado.

Por Omar Robeiro Thomaz*, na Folha de S.Paulo
Os principais edifícios desabaram, entre eles o palácio nacional, vários ministérios e a catedral; no segundo dia da volta às aulas, jovens estudantes de escolas e universidades procuravam seus amigos entre feridos e mortos nas calçadas e choravam aqueles soterrados.

As operações de resgate são, até o momento, uma promessa, e é evidente que as forças internacionais da ONU não estavam preparadas para lidar com uma calamidade desta natureza.

Sem Estado e diante da inoperância da ONU, os haitianos estão entregues à própria sorte. Após o terremoto, as ruas da capital e as vias que a conectam com os subúrbios e com Pétionville, ficaram absolutamente obstruídas. Carros foram soterrados por muros e prédios; também foram abandonados nas vias estreitas de uma cidade que já possui um trânsito caótico.

Na hipótese da existência de ambulâncias ou veículos de resgate, não teriam como passar. Mortos e feridos se aglomeram nas calçadas, indivíduos correm horas e horas para chegar em sua casa e ver como se encontram os seus, outros parecem andar e correr sem destino.

Diante da falta absoluta de ação de qualquer instância para atender uma cidade subitamente transformada num campo de refugiados, os saques são inevitáveis, e escutamos tiroteios em distintas partes da cidade.

A comoção inicial, traduzida em cânticos e em clamores para "Jesu" e "Bon Dieu", cede pouco a pouco a uma sensação de frustração sem limites, de raiva. Historicamente, o mundo insistiu em ignorar o Haiti e sua grandeza.

Ao embargo político e intelectual secular -como definir de outra forma o ostracismo ao qual foi relegado o Haiti após sua vitoriosa revolução que culminou com sua independência em 1804?- sucederam-se intervenções e ocupações que sempre procuraram negar aos haitianos o sentimento do orgulho dos seus feitos; e, por fim, o golpe de misericórdia, a imposição de uma agenda ditada pela Guerra Fria, que, entre os anos 1950 e 1980 destruiu o Estado haitiano (ao contrário do que pensam alguns, o Haiti possuía um Estado, nem melhor nem pior do que os seus congêneres latino-americanos e caribenhos), fragilizou suas instituições, criminalizou os movimentos sociais e arrebentou seu sistema econômico.

Não foi a interferência americana que destruiu o plantio de milho e interrompeu as conexões existentes entre o camponês, os fornos e os consumidores? Ou outra intervenção que promoveu a eliminação do porco crioulo, base econômica de famílias? Ou o embargo internacional que promoveu o golpe final nas reservas florestais impondo o uso indiscriminado de carvão vegetal?

Diante da fúria da natureza não cabe outro sentimento que o de uma frustração que deita raízes numa história profunda e que subitamente pode ganhar cor: o mundo dos brancos nos destruiu; o mundo dos brancos diz que quer fazer alguma coisa, mas o que faz, além de nutrir seus telejornais com fotos miseráveis que só fazem alimentar a satisfação autocentrada dos países ditos ocidentais?

Não são poucos os agentes das organizações internacionais que anunciam que a "comunidade internacional" estaria cansada do Haiti. Após escutar os haitianos ao longo de anos, de tentar entender o sentido de sua história, digo que são os haitianos que estão fartos das promessas daqueles que dizem representar a "comunidade internacional".

Afinal, por que estão aqui? Após seis anos de ocupação, os hospitais e as escolas ruíram. Depois da tragédia de Gonaives -quando essa cidade foi soterrada na passagem de um furacão, em 2004-, não teríamos de estar minimamente preparados para a gestão de uma calamidade?

Não: a gestão foi entregue aos haitianos e haitianas, e, por que não dizer, ao "Bon Dieu".

* Omar Robeiro Thomaz é antropólogo e professor da Unicamp




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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

“A Câmara esteve mais próxima da população e com uma boa produção legislativa”



ENTREVISTA COM BALANÇO DE FINAL DE ANO NO LEGISLATIVO (trasncrita do jornal NOVOESTE)
É um direito do cidadão e obrigação não só de instituição, como também o homem público prestar contas de suas ações como servidor público. Com objetivo de trazer à população o balanço das atividades da Câmara no ano de 2009, segue uma entrevista com Kelly Magalhães, presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Barreiras. Na oportunidade ela avalia a gestão municipal, bem como as ações do Governo do Estado na região.

Avaliação 2009

A avaliação que faço é de que foi um ano produtivo, em que a Câmara esteve mais próxima da população e com uma boa produção legislativa. As principais demandas da comunidade especialmente a questão da infraestrutura, teve atenção especial por parte de todos os vereadores, que sempre apresentaram indicações ao Poder Executivo, como forma de atender as reivindicações.

Povo X Câmara

Procuramos investir o máximo na proximidade da Câmara com o povo. As sessões itinerantes como programa “A Câmara na Comunidade” foi uma forma positiva de ouvir a população e demonstrar nossa disposição de ser o porta-voz legitimo dos anseios que as pessoas têm em relação aos poderes públicos, na solução dos problemas. Portanto, avalio que a imagem da Câmara tem tido uma avaliação positiva na medida em que as pessoas sentem que as reivindicações apresentadas são atendidas.

A nossa entrada na era da informação via Internet foi positiva. A inauguração do portal, atualizado diariamente com informações das ações parlamentares e a prestação de contas, foi um grande investimento que fizemos para levar a noticia em tempo real e cumprir o nosso papel constitucional da publicidade dos atos públicos.

Relacionamento com os vereadores

Tenho por todos os vereadores, uma relação de respeito e consideração. E a nossa convivência é harmoniosa respeitando as diferenças, as opiniões e as posições de cada um. Afinal, aqui é a Casa da Democracia e não podia ser diferente. Trato com igualdade e respeito a todos indistintamente e procuro atender as reivindicações de cada um dentro do possível. O papel do vereador é para ser exercido na sua plenitude independente se é de situação ou oposição e cabe à Mesa Diretora dar as condições para que isso aconteça.

Transparência na administração pública

Não temos nada a esconder nem porque esconder. Nosso site é atualizado diariamente e transmitimos as sessões ao vivo pelo Internet como forma de fazer chegar àquelas pessoas que não podem ir a sessão, o que acontece no Poder Legislativo. Qualquer pessoa que busca a Câmara tem as informações que desejarem.

Avaliação do Governo atual

Avalio positivamente. Uma das características do povo é esquecer rapidamente das coisas ruins quando elas são corrigidas e isso é normal. Falo apenas para ilustrar um pouco da gestão da prefeita. No ano passado nesse mesmo período, as principais ruas e avenidas da cidade estavam intransitáveis, sujeira por todos os lados e mato tomando conta das ruas. Hoje, as principais ruas estão recuperadas, a cidade tem uma nova cara mais florida, mais bonita e mais acolhedora. Os investimentos que a prefeita tem feito, são basicamente no sentido de fortalecer a nossa capacidade produtiva com a atração de indústrias e fábricas que vão ajudar no desenvolvimento econômico e social do município.

A rede social do município de Barreiras com ampliação e melhorias dos programas sociais do governo federal coloca Barreiras num patamar superior. Programas como o FLORES DA INCLUSÃO, que resgata a dignidade das mulheres do bairro Santa Luzia, que não tinham nenhuma oportunidade no mercado de trabalho, mostra que é possível desenvolver ações com recursos próprios que vão ter retorno em curto prazo. E retorno nesse caso especifico, é desenvolvimento humano, é dignidade mesmo. A saúde me Barreiras é outra. Está a olhos vistos. E mesmo com todo as dificuldades impostas pela crise financeira que diminuiu os recursos, não se parou de trabalhar e de mostrar para o povo que a mudança acontece sim.

Executivo X Legislativo

Somos da mesma base (eu e Jusmari) com o compromisso de trabalhar em parceria colocando os interesses da população em primeiro plano. Para isso temos tido uma relação mútua de respeito. Todos os projetos enviados a Casa são previamente discutidos e cada um coloca sua opinião e tira suas dúvidas. Isso contribui para o desenvolvimento do município. Nosso papel é de parceria. O povo já penou muito com oposição sistemática e irresponsável por questões partidárias e isso não implica ser submisso e perder a altivez, muito pelo contrário, cada reclamação que um cidadão ou cidadã faz é levada ao conhecimento da administração e se busca respostas e solução. Esse é o nosso papel.

Região Oeste em relação ao Governo do Estado

O Oeste está sendo muito bem atendido pelo governo Wagner. Os investimentos na saúde especialmente com a municipalização do Eurico Dutra, a retomada do esgotamento sanitário, diversos sistemas de abastecimento de água na região; a recuperação de estradas importantes como a BA 172 que liga o Javi a Sta. Maria da Vitória, Baianópolis, Cotegipe e já sai dia 28 o resultado da Licitação para a restauração total da estrada de Santa Rita até o entroncamento e depois a estrada que liga Barra até a BR 242. Sem dúvida nenhuma a maior obra de Wagner tem sido recuperar o valor dos baianos. O TOPA – Todos Pela Educação, tem alfabetizado milhares de pessoas que estavam na escuridão do conhecimento e os Sistemas de Abastecimento de Água como o de Wanderley, levam para o povo, aquilo que nenhum outro governante davam valor: Dignidade. É claro que ainda há muito que fazer e não se resolve os problemas de um Estado do tamanho da Bahia num curto espaço de tempo. A turma do DEM que governou a Bahia durante 16 anos seguidos, que nada fizeram pela segurança, saúde, educação e desenvolvimento econômico e social especialmente no Oeste da Bahia, hoje posam de vestais da moralidade e esquecem como deixaram os baianos.

Emperramento das grandes obras

Oeste sofre com a falta de representação tanto na esfera federal, quanto na estadual. Temos uma subrepresentação na Assembléia Legislativa, que prioriza os interesses pessoais, a gana por cargos e deixa de lado os interesses do Oeste. A soma dos investimentos que temos tido em Emenda no Orçamento é irrisória e é claro que isso não reflete o tamanho da nossa região e a nossa importância no cenário estadual. A prefeita Jusmari tem feito grandes investidas para atrair empresas de grande porte para a região especialmente no município de Barreiras. A fábrica da Vitamilho, a Vicunha e diversas outras indústrias já estão na pauta da prefeitura que tem tido apoio dedicado do governador Wagner para a viabilização dos projetos.

Universidade do Oeste

Da mesma forma que a nossa falta de representação causa prejuízos para o nosso desenvolvimento econômico, atrasa também nosso debate acerca da criaçãoda Universidade Federal do Oeste da Bahia. O Projeto está parado no Ministério da Educação, precisando apenas de um empurrãozinho para ir para a Casa Civil. Nossa parte estamos fazendo e vamos fazer mais, que é mobilizar a população para um direito nosso: a conquista da universidade para consolidar a região com vistas a concretização do sonho do povo Oestino: a criação do Estado do Rio São Francisco.

Mensagem a todos que moram na região

Que o ano de 2010 seja repleto de esperanças num mundo melhor e que a esperança seja sempre acompanhada da coragem, da determinação e da luta por sua cidade e por uma região com desenvolvimento e justiça social.

Por Ana Cedro
Da redação, JORNAL NOVOESTE

2010 - CHEGOU A HORA

Quero pedir desculpas aos amigos e simpatizantes que nos acompanham pelo BLOG, a nossa ausência de noticias e a desatualização do mesmo. O final de 2009 com as muitas tarefas administrativas, o encerramento do ano legislativo e a convocação de sessões extraordinárias, me deixaram um pouco sem tempo de atualizar as noticias. Mas enfim, chegou 2010 e com ele as sempre renovadas esperanças de um mundo mais justo, mais humano e fraterno.
Quero externar aos amigos,a nossa gratidão pelo apoio na nossa jornada de 2009 e dizer que continuamos persistentes na nossa luta cotidiana por uma cidade melhor. Todas as dificuldades são reconhecidas, e a consciência de que precisamos fazer mais, tanto a Câmara quanto a prefeitura, é latente em nós que estamos em cargos públicos. A cidade melhorou muito em relação ao passado especialmente a questão da infraestrutura, mas era tão caótica a situação, que por mais que se faça, é como se nada tivesse feito. E este ano, teremos o inicio do tão sonhado, desejado e esperado esgotamento sanitário; o que significa mais transtorno para as vida das pessoas; e quero dizer que esse transtorno é por um bom motivo. Teremos qualidade de vida e o meio ambiente, que se tornou pauta prioritária de todas as agendas governamentais e não governamentais, será recuperado e o Rio Grande, nosso cartão postal do centro urbano, terá as suas margens limpas como foi outrora.
Parabenizo o governador Wagner pela persistencia em trazer a obra e a prefeita Jusmari que colocou os interesses do povo acima da política miúda que vivemos no passado e atrasou a nossa vida. Vamos continuar lutando para que Barreiras e o Oeste tenha o que lhe é devido: atenção e investimentos para que tragam desenvolvimento economico e social. E 2010 terá essa marca. É ano de eleger deputados comprometidos com o nosso povo e a nossa história.